quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Firmando posição!

Eleição chegando... O sangue começa a ferver, o coração a palpitar, pulsar. Tá na hora de ir pra rua pra convencer, pra tentar, pra esclarecer.
Fora desse período ninguém quer saber de política. Ninguém, não! Com essa onda de “golpe” as pessoas até se dedicam a opinar, algumas a construir. Mas, em época de eleição todo o mundo quer palpitar.
O cenário local é de suspense, pois, mesmo não aparecendo bem nas pesquisas, o atual prefeito é favorito para ganhar o pleito. Só quem eu lembro que perdeu uma reeleição, foi a Ana Júlia, em virtude de vários fatores, entre eles a pulada do PMDB de seu governo.
Edmílson 50 é uma boa alternativa, pois, como principal representante da esquerda, com certeza tem melhores pensamentos para a educação de nossa cidade.
Pelo lado direito tem o Deputado Eder Mauro, que é uma personagem da mídia caricata, eleito pelo sensacionalismo que pintaram em sua volta. Esse mesmo que, na votação da continuidade do processo de afastamento da presidente Dilma, disse que votara a favor do impeachment por que o “Petê” quer incentivar, nas escolas, as crianças a trocarem de sexo.
Eu saí do PCdoB e ingressei no PSOL em 2014, porém fiquei satisfeito com a posição do PCdoB nestas eleições, de lançar candidatura própria, na pessoa do Deputado Estadual Lélio Costa. Alguém que mostra a cada ação e manifestação, que tem o olhar sensível para as necessidades do povo trabalhador, e tem uma liderança, carisma e competência capaz de convencer os seus a uma candidatura própria, com um viés socialista puro.
Fazendo o exercício de voltar no tempo, para as duas últimas eleições, em 2014, ainda no PCdoB, manifestei meu voto para deputado federal em Edmílson Rodrigues do PSOL, pois entendia que o candidato do PCdoB ao cargo estava com uma chapa que elegeria pessoas como Hélio Leite, Beto Salame e Lúcio Vale, se não me engano. E, felizmente, ajudei a eleger Edmílson, e não Hélio Leite, à câmara federal.
Dois anos antes, em 2012, quando Edmílson ficou na frente no primeiro turno da eleição para prefeito, fez-se um esforço para uma chapa nítida de trabalhadores. O PSOL buscou apoio do PCdoB e do PSTU. Uma chapa sinceramente socialista, com Jorge Panzera vice.
Agora, em 2016, o PSOL buscou outros apoios, entre eles, PV e PDT. E valorizou mais estes do que os partidos que tem inserção no movimento social. Buscou outras alianças em detrimento dos companheiros de trincheiras.
O PSTU vem com Cleber Rabelo candidato à prefeitura, que abre mão de uma candidatura à reeleição de vereador, para manter sua coerência política. E o PCdoB vem com Lélio Costa, Prefeito, e Lia Menezes, Vice-prefeita.
Pois bem, Lélio  Costa, Camarada, estou com você! Boa sorte!  Boa caminhada!
Esse ano, eu voto 65 pra prefeito!
Sigamos na luta!
Prof. Nairo Bentes




quarta-feira, 29 de junho de 2016

Deus a teus critérios. Deus, ateus, critérios...

Outro dia, planejando uma aula preliminar, na qual o objeto de estudo seria a Geometria, surgiu a curiosidade de verificar qual seria a definição da palavra no dicionário, o que apareceu – ou que estava disponível na nossa frente – era o “MiniAurélio-Escolar”. Pois bem, passando o olho pelo dicionário, a definição encontrada foi a mais trivial possível: “Ciência que investiga as formas e dimensões dos seres matemáticos” (p.146). Mas, o que me chamou a atenção ao “passar o olho” foi uma palavra próxima, “geossauro”, cuja definição era: “Réptil crocodiliano especialmente aquático; viveu  no jurássico e no cretáceo, e seus vestígios foram encontrados nos mares da Europa Central”. (p.146)
Aí...
Um estalo! (pá!)
Jurássico?
Dinossauros?
Como será que esse dicionário define “deus”?
Eis: “Deus: Ser infinito, perfeito, criador do universo.”
¬¬
Então...?
Conclusão...
Seria o Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, um crente!?
xD















*
Calma, galera!
*
Aí, eu fui procurar “Ateu”, pra ver o que o Aurélio me dizia.
“Ateu: Que ou aquele que não crê em Deus”. (p.72)
Aí pensei: “Selado, o Aurélio é crente! ”
:p
E então aparece um amigo meu, que é linguista, e me diz que as definições devem ser dadas pela ótica de quem acredita, que o organizador de um dicionário não manifesta suas ideologias nas definições. Mais ou menos isso que ele disse. Não lembro.
Mas, aquilo ficou martelando em minha cabeça, pois a própria definição de “ateu” aureliana é uma definição deísta. Pois, se eu digo que alguém não crê em Deus, já estou afirmando que existe aquele deus, e esse alguém não acredita nele, pensa que ele é um mentiroso.
Ironias à parte, poderia dizer que aquele que não crê em deus, é alguém que até admite a existência desse ser super-supremo, todavia, não lhe estima valor de transformação. Uma palavra melhor para representar essa definição seria “ímpio”. Segundo o mesmo Aurelinho, ímpio: “Que não tem fé.”
Está difícil crer que o Aurélio não escapa ideologias nestas definições.
Vamos procurar  “deísta”!
Achei “deísmo”: “Sistema ou atitude dos que rejeitam espécie de revelação divina, mas admitem a existência da divindade”. (p.206)”
\m/
Batata! Chegamos a um parecer sobre o “Aurélio”. Ele utilizou a palavra “existência” para definir “deísmo”, mas não a usou a mesma palavra para definir “ateu”.
"Ateísmo" é definido pelo Aurélio como: "Falta de crença em Deus." Por quê ele não disse: "O que não admite a existência de deus "? É...
O MiniAurélio Escolar, leva em si uma ideologia, sim.

*
Calma, galera, não acabou o texto!
Peguei outro dicionário, o “Dicionário Junior – da Língua Portuguesa” de Geraldo Mattos.
Fui direto procurar a definição de “ateu”: “Que não acredita na existência de Deus”. (p. 66)
Arrá! Perceberam a importância da palavra "existência" aí? Lembram a definição do “Aurélio”? “Aquele que não crê em Deus”. Geraldo Mattos ainda completa que o antônimo de ateu é crente, e define “Deus” como “Ser infinito e perfeito, que existe sem ter sido criado” (p.198). Ora, o que existe sem ter sido criado, outrora só pode ter sido inventado, não acham? Foi sutil, mas foi. Geraldo Mattos também insere sutilmente sua ideologia em suas definições. Nem fala em Universo.
E pensar que por vezes acreditamos que até a globo é imparcial.
Não existe imparcialidade nem no dicionário.
*
Pra finalizar, lembrei de uma música do Chico, Gente humilde, na qual em um dos versos ele desenrola “E eu que não creio, peço a deus por minha gente...”, exteriorizando que não crê, e que, quem acredita, o faz quando convém, ou necessita, ou já não vê mais saída. Ou, nem acredita, realmente.

Um bom julho a todos!
As duas primeira imagens foram recolhidas da internet e estavam sem identificação de autoria, e a terceira, do taxista, é do meu amigo Brahim Darwich.
Boas férias!
Boa sorte!

Nairo Bentes


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Dois anos...



Tenho uma agenda, que às vezes lembro que ela existe e escrevo lá, às vezes a esqueço e ela fica com algumas páginas  em branco. Ontem participei de um seminário na UEPA e lembrei de pegá-la para fazer anotações, no dia 08, quando olho para a folha ao lado, dia 9, estava escrito um lembrete: “Completando dois anos de Funbosque”, e foi uma surpresa ver isto, pois não lembrava de ter escrito tal lembrete, e não lembraria da data se não fosse o mesmo. Não costumo fazer lembretes de datas na minha agenda, mas dessa vez foi válido, pois tamanha é a correria do dia a dia, que eu esqueceria, feliz também foi a coincidência de abrir a agenda dia 08, oportunizando a lembrança de data.
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Muitos aprendizados nesses dois anos, tanto profissionais, quanto pessoais, conhecendo pessoas confiáveis e outras deploráveis.
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Vou contar uma história aqui, mas que não é referente a esses dois anos propriamente, mas, tais dois anos não aconteceriam se não fosse tal fato que vou lhes contar.
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Antes do concurso da Funbosque, que ocorrera de 2012 para 2013, fiz o concurso da SEMEC/2012, que foi similar. Fiz uma excelente prova na SEMEC, acertando 84% da prova objetiva, e uma prova dissertativa que provavelmente se aproximara dos 100%. Porém, o edital limitara o número de candidatos que teriam a prova escrita corrigida, só os dez primeiros na prova objetiva, os demais estariam eliminados, e assim, fui eliminado.
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Depois veio o concurso na Funbosque, no início de 2013, os mesmos critérios. Fiz uma prova objetiva que não me animara nem a estimar qual seria a minha pontuação na discursiva, com apenas 62% da prova objetiva, esqueci do concurso em fevereiro mesmo.
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Ora, pensei, se na SEMEC eu fora eliminado com 84% na objetiva, na Funbosque não faria nem ferida, e aceitei.
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E depois de fevereiro, tanta coisa aconteceu...
Em março, meu filho Pedro nasceu...
Em abril minha mãe faleceu...
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Eles se viram uma vez na vida, no final de março, nesse dia o sorriso da minha mãe e a minha felicidade eram indescritíveis, inenarráveis. Também foi o dia em que a minha mãe conhecera minha casa, a primeira ela não pode ir, pois tinha escadas. Esse dia foi um só, mas foi eterno, é eterno, acontece ainda hoje quando lágrimas me vêm aos olhos quando disserto esse dia.
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O tempo passou depois da prova...

Fevereiro...

Março...

Abril...

Maio...
Todas as emoções de proporcionar o nascimento de uma vida e se dar com ausência física de outra, somadas com o desempenho não satisfatório na prova objetiva, me fizeram esquecer do concurso por um tempo suficiente para o mesmo se esgotar.
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Em maio, certo dia, cuidando de Pedro, brincando com Pedro, e pensando na vida, me veio uma curiosidade na cabeça:
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“Quem será que passou na Funbosque? Será que foi algum amigo meu? Vou entrar no site pra ver quem foi.”
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Eu nunca olhara nada deste concurso desde a publicação do gabarito preliminar, e em meados de maio já imaginara que o concurso havia acabado.
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Parece que alguém soprou ao meu ouvido: “Vai lá ver quem passou! Vai lá! Vê agora!”
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Quando abri o site da realizadora do concurso, uma surpresa, ele ainda não acabara. E naquela data – acho que 17 de maio – convocação para a prova de títulos, e entre os convocados para entregar os títulos (apenas 8), meu nome. Conferi as notas e eu estava em segundo lugar, somando objetiva e dissertativa. Dia seguinte, fim do prazo, levei meus títulos, uma vaga, e aqui estamos.
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Enfim, o concurso demorara em virtude de alguns recursos e imprevistos.
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Por fim, dois anos de muita luta, trabalho e dedicação, aproveitando o que há de bom e aprendendo com o que possa parecer ruim.
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E pra finalizar, já que veio a lembrança:
“Mãe não morre nunca, mãe ficará pra sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho." (Drumond)
Obrigado.
Bom dia...
*
E pra tornar esta data ainda mais significativa, dia 09 de junho de 2016, amanheço aqui, no ambiente da Casa-Escola da Pesca, em Caratateua, aprendendo a cada dia com quem do campo é, e com quem no campo vive, no campo trabalha, do campo sobrevive, no campo brinca e do campo cresce, no campo respira e do campo amadurece.
Obrigado novamente!
Bom final de semana!
Prof. Nairo Bentes

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Os deputados são as vozes do povo que sou.

No dia da votação do "impeachment" compartilhei no face o trecho de uma música que, no meu olhar, representa bem o momento político que vivemos hoje.

"Nos perderemos entre monstros, da nossa própria criação. Serão noites inteiras, talvez com medo da escuridão. Ficaremos acordados, imaginando uma solução, pra que esse nosso egoísmo, não destrua nosso coração."


Que a meu ver nem precisaria de explicação para entendermos quais seriam estes monstros, já que, como diz a letra, nós mesmos os criamos.

A escuridão se dá, quando após aquele atípico dia na câmara federal,  - em que quase todos os deputados trabalharam num domingo - no dia seguinte, a reflexão que as pessoas estávamos fazendo é: "Olha como são os nossos deputados!" Quando, na verdade, a reflexão que deveríamos estar fazendo é: "Olha como nós somos!"


Aí, você, caro leitor, pode dizer: "Não, pera, o Wlad não me representa! De jeito nenhum!"


Pior é que representa! Foi eleito! Primeiro se candidatou, e depois foi eleito.


Eu, Nairo Bentes, posso ter votado no Edmilson Rodrigues, e ter compatibilidade de ideias com ele. Mas, no momento de qualquer decisão, ou discurso, lá na câmara, quem também está fazendo as vozes da nossa população, logo, minha, também é o Wladimir Costa.


Nós podemos não nos sentir representados em ideias, mas ele está lá para nos representar.


Outro ponto importante a discutir, é a necessidade de uma reforma política,  em que o povo passe a saber que vota em grupos, ideias, partidos, coligações de ideias e/ou partidos. E não vota  em pessoas. Ou será que aquele trabalhador paraense que votou no comunista Jorge Panzera, com esperança e confiança no trabalho dele, sabe que elegeu o Democrata Hélio Leite com o seu voto? Tinha que pelo menos saber, para "pensar" que pode cobrar dele algo.


Em rodas de conversas de amigos e conhecidos, quando juntam-se três pessoas, o assunto da roda já se torna a votação do prosseguimento do processo de impeachment.


A população tem um sentimento misto, meio sem definição, dizendo de forma eufêmica.


Na sala dos professores da escola da rede estadual na qual trabalho. Chego. Sento em meio à roda. E o assunto já está na mesa. Em que nossos colegas, falando com ar de indignação contra a "corrupção", diziam que a "Dilma" e o "petê" têm é que sair mesmo!


Uma professora disse, que ela já carregara bandeira do petê de graça, e que agora, ela jamais faria isso novamente, que tem é que pensar nela, e pronto!


"Todos concordam. Fora Petê!"


O outro emenda: "Vocês viram as falas daqueles deputados? 'Pela minha família, pela minha neta, por deus, pelo meu vizinho'!"


Uma terceira diz: "E aquele Wlad? Ridículo! Pensa que está no trio elétrico!" A primeira retruca: "E aquele Bolsonaro?! Louco!?"


E eu, até então apenas ouvindo tudo aquilo, pois tenho apenas uma semana naquele ambiente de trabalho. Não me contive, e comentei: "-Mas, todos esses deputados que vocês estão falando, discordando, foram os que votaram pelo impeachment. Que vocês querem!"


Foi o suficiente, o silêncio pairou, e logo alguém mudou de assunto.


Mas enfim, os acontecimentos atuais causam revolta e indignação.


O golpe, que na minha interpretação não é inconstitucional, mas não deixa de ser golpe, está a caminho.

Pois, os deputados tinham que votar, a luz do que consideram ou não, crime de responsabilidade, e não pelas suas famílias, pelos seus filhos.


Ver e ouvir aqueles deputados causa revolta, mas não é aquela revolta de se sentar "no trono de  apartamento com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar", zapeando a televisão e falando mal da globo, da Dilma e dos deputados, não se propondo a lutar. A vontade é de ir pra rua, ir pra luta e, caro leitor, eu confesso, deu aquela vontadezinha de se propor. Pois, se falamos mal de nossos representantes, temos que nos propor a sê-lo.


Pra finalizar, a melhor charge desse  fim de semana "politizado" foi a do meu amigo Brahim Darwich, que segue abaixo e vou passar a divulgar aqui. Trocadilho genial sobre o que importa e aonde estamos. Até logo. Comentem à vontade. Comentem no blog! Cliquem nas reações abaixo da postagem.


Obrigado.

Prof. Nairo Bentes

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Sem embaçamento & Com embasamento!

Talvez o nosso grande erro - quando digo "nosso", é na tentativa de dizer que essa pode ser a postura de qualquer um, ou de todos - seja pensar, ou querer que os parlamentares de nossa sociedade, de nosso legislativo e executivo, sejam pessoas que pensam como nós. Por exemplo, eu, Nairo Bentes, posso até escolher um candidato a vereador com o qual eu tenha afinidade de concepções políticas e de sociedade, ele pode se eleger e eu me sentir representado. Mas, não posso querer me sentir representado pelos outros tantos vereadores, e muito menos achar que eles não representam ninguém, ou querer que as pessoas votem no candidato que eu achar melhor para elas.

Tem circulado nos últimos dias nas redes sociais, opiniões, defesas e comentários negativos a respeito da filiação da Senhorita Andreza ao PCdoB, na verdade, a respeito de uma possível candidatura da menina-mulher à vereadora da nossa capital.

Antes de escrever aqui o que penso, relembro e informo quem por ventura não saiba, que não sou mais filiado ao Partido Comunista do Brasil desde 2014, quando, após o primeiro turno da eleição presidencial, tomei a decisão de me desfiliar do PCdoB e declarar meu voto crítico em Dilma, naquele segundo turno. Só estou esclarecendo isso, para deixar claro que minha opinião não é de alguém de dentro do PCdoB. Mas, exponho aqui tal opinião, pois, me foi perguntado por amigos pessoas comuns, amigos militantes do PSOL, e amigos filiados ao PCdoB. Ah! Outro destaque importante, também não conheço a Srta. Andreza.

Primeiramente, não é de hoje que, o que também influencia quem são nossos parlamentares eleitos é a fama e o carisma deles. Lá ou cá, temos exemplos de que o que elege vereadores, certas vezes, é simplesmente a sua popularidade midiática. O que mudou hoje em dia é que: é mais rapidamente que se fica famoso. Na Era atual elegemos personagens do tipo Robgol, por paixão clubística, Meg Barros da mídia sensacionalista,  Moa Moraes, que se "veste" de vermelho mas faz parte de uma bancada evangélico-conservadora, e por aí vai. São legítimos representantes do "povo brasileiro", digo, eles representam quem os elegeu, e são espelhos sim,  de seus eleitores.

A Srta. Andreza é um fenômeno midiático que emergiu nos últimos meses e se apresentou com um carisma cômico, que de compartilhamento em compartilhamento, tornou-se uma pessoa famosa, com muitas pessoas se identificando com ela, pelo seu ar despojado, livre e festeiro. Faltando apenas ela se libertar, e expor, ou até descobrir seus pensamentos políticos para mais, ou menos, pessoas se identificarem com ela. Lembrando que o pensamento político dela pode ou não ser igual ao meu, ou igual ao seu, caro leitor. Se ela pensar ou agir diferente de você, quem vai votar nela são pessoas diferentes de você, e ela vai representá-los.

Talvez a contradição estivesse para o PCdoB, e não para a senhorita Andreza. Pois, o PCdoB tem um discurso e uma tradição (embora um pouco abalada) de representar trabalhadores na luta e reivindicação de direitos e melhorias para tal. E aposta na Srta. Andreza com objetivos claros: para que, possivelmente, ela se eleja; e para que, ela contribua com o coeficiente eleitoral para eleger mais trabalhadores (tomara!) da legenda.

É uma aposta menos arriscada que a do PSOL quando lançou Meg Barros candidata. Pois, Srta. Andreza é Mulher, é Negra, é da Periferia, já ocupa um lugar social em que tem uma facilidade maior de enxergar os problemas e as opressões da sociedade, porque as vive! E é preciso primeiro enxergar, para depois compreender e lutar para reverter as desigualdades e combater as opressões.

Cabe agora à Srta. Andreza e ao PCdoB construir uma candidatura "Sem Embaçamento" & Com Embasamento, teórico, político e popular! Que fortaleça sua identidade de mulher, negra, da periferia, e lute pelos seus!

Boa sorte!

Prof. Nairo Bentes

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

"Hoje você é quem manda, falou, tá falado! Não tem discussão! (Não!)

Esse verso de Chico, em Apesar de você (1970), hoje expressa qual o sentimento da categoria de trabalhadores em educação no Estado do Pará.

Resumindo, fizemos uma greve de 73 dias corridos em 2015, com a qual o Governo Jatene - além de deixar as escolas caindo aos pedaços do jeito que estão - desconta desde junho os dias parados pela categoria dos trabalhadores que aderiram a greve. Segundo o Governo, o desconto total a ser colocado na folha dos trabalhadores em Educação chegaria a 45 milhões.Também segundo o Governo, já foram descontados 16 milhões, faltando 29 milhões. E aí, vem a proposta indecente do Governo com um tom de "Pegar ou largar", na voz de Alice Viana.

O Governo deve para a categoria, segundo ele próprio, o montante de 100 milhões de reais. Na proposta do governo a matemática é simples.

- Se vocês ainda nos devem 29 milhões, que vocês vão pagar compulsoriamente até junho de 2016, e nós lhes devemos 100 milhões, que não temos perspectivas de lhes pagar. Descontamos uma dívida da outra.

Os trabalhadores deixariam de "dever" para o Governo, e o Governo continua devendo para os trabalhadores.

O julgamento de abusividade da greve 2015 seria suspenso, pois, logicamente, a categoria aceitando descontar uma "dívida" da outra, aceita politicamente os descontos e, tacitamente, assume a greve como abusiva.

Ganhos não tem, recuo do governo também não. O Governo aparece e prepondera enquanto opressor, "que inventou a tristeza" e ainda posa de bonzinho, querendo parecer que está tendo "a fineza de desinventar".

Porém, não! Está massacrando e humilhando. Fazendo a categoria, que reconhecidamente mais faz enfrentamento aos Governos neste Estado, baixar a cabeça...

"falando de lado, e olhando pro chão, viu!"

Infelizmente é isso que tenho a escrever, mesmo ponderando todos os argumentos dos companheiros trabalhadores a favor do acordo, "de que a categoria está cansada dos descontos", de que isso "representa um recuo do governo", na assembleia, o recado foi:

"Sim, vai e diz
Diz assim
Que eu rodei
Que eu bebi
Que eu caí
Que eu não sei
Que eu só sei
Que cansei, enfim
Dos meus desencontros
Corre e diz a ela
Que eu entrego os pontos"
(Desalento, Chico e Vinícius, 1970)

E vem na memória, a fala daquele dirigente:

"Esse Governo é forte"
Esse Governo é poderoso!"
(Greve 2015)

"E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a deus por minha gente"
(Gente humilde, Chico e Vinicius, 1969)

E a nossa luta, que sonha em ser classista, se perde, e é cada vez mais economicista.

Belém, 25 de novembro de 2015.

Nairo Bentes

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

"Tem dias que eu fico pensando na vida, e sinceramente não vejo saída..."

Ao acordar, bom dia!
Tempo muito corrido que vivemos ultimamente. “Vivemos”? Quem? Todos que leem! Temos amigos do peito que se confundem com conhecidos de dizer “oi” num cruzamento por um corredor. No facebook tudo é igual. E nem tudo é real. E por isso que eu fui ali, comprei uma caixa de tijuca.
E aí... ao beber, melhor que teclar, que “zapear”.
Sabe aquele samba?
E aquele outro?
E essa correria?
“E quase sempre pairam sensações...”
Desce uma,
                desce duas,
                               Desce mais....
Desce aquela água ardente, aquela caramelada. Sim, nós podemos!
Para lembrar daquelas aguardentes à “se comemorar nos feriados, nas avenidas da vida, nas travessas botequins, nas ruas de samba, nas rodas de bambas.”
Pra se lembrar daquela catuaba bebida com prazer... e que talvez hoje nem deveria descer.
                               Desce sim!
E aquele pôr-do-sol ouvindo a voz da professora do Charlie Brown?
Toca mais um samba,  e pode falar “bora marcar!”, pois se não for amanhã, vai ser depois de amanhã!


Belém, 06 de novembro de 2015.
Nairo Bentes

domingo, 20 de maio de 2012

Imagem simples e direta.

Capitalismo Selvagem!!!!

Boa reflexão e boa semana a todos!!!
Um abraço!!!
Prof. Nairo Bentes

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Indicação de leitura.

Comecei a ler...
Quando vi, estava num monólogo sem plateia...
entoando em voz alta estes cantos.

Muito bom! Merece o Mundo!
Publico no meu blog e digo merece uma interpretação teatral.

Um abraço!

Prof. Nairo Bentes

*O texto foi retirado do blog Felipov, eu-lírico da tabacaria.

Não!


“Há muitos modos de afirmar; há um só de negar tudo”
(Machado de Assis)


Eu vos direi no entanto:
Enquanto houver espaço,
 corpo e tempo e
 algum modo de dizer não
Eu canto
(Belchior)
Não!

Sem paciência. 

Sem moderação. 

Sem aquiescência.

A vida exige mais pessoas sem paciência. Mais pessoas corajosas. Mais pessoas indignadas. Mais pessoas destemidas. Mais pessoas que não tem o que perder. Mais pessoas que não tem medo. Há na vida muitas exigências, muitas cobranças, muitas necessidades, muitas urgências. Exigências que são razoavelmente atendidas, parcamente satisfeitas, debilmente realizadas.

Não há o que esperar.

Ação, movimento, agitação. Abolição do cruzar de braços. Emancipação do baixar cabeça. Destruição da docilidade. Palavras mansas, vozes calmas, grilhões fortes. É necessário gritar, vociferar, uivar. É necessário discutir, debater, subverter, controverter. É necessário xingar, ofender, insultar, ultrajar, afrontar a plenos pulmões.

Esperar é para os fracos.

A força dos fortes baseia-se na contemplação dos fracos. O fraco em si não é fraco, sua fraqueza se deve a sua espera, a sua calma, a sua bondade, a sua caridade, em suma, a sua submissão. Os fortes apenas dominam. A sua dominação é simples. A sua dominação é fazer com que o fraco não se perceba forte. É o fraco ver-se sozinho.

A vida exige luta, solidariedade, confronto, compaixão, combate, honestidade, integridade, violência, justiça. O soco na cara é mais eloquente, persuasivo, esclarecedor em comparação aos mais bem construídos e pomposos argumentos. O punho cerrado diz mais, faz mais, muda mais. O soco no estômago é o melhor dos argumentos.

Não!

É o tempo da negação. É tempo de cobrança. É tempo de reparação. É a vez dos fracos. É a vez dos vencidos. É a vez de daqueles que nunca tiveram vez.

Aqueles que constroem o mundo, braços fatigados, costas desgastadas, mãos calejadas, pés corroídos, pulmões estafados, corações atormentados pela esperança de dias de melhor sorte, mentes cansadas, letárgicas de tantas rezas, promessas, promissões adiadas, esquecidas, mentiras que se perpetuam, aqueles que carregam o fardo histórico, séculos, séculos e mais séculos de fardo colonial, imperial, republicano, ditatorial e democrático, o legado da derrota, a herança de extinguir suas existências na expiação diária, do tempo expropriado, do sangue entornado, do suor acerbo, da civilização, do progresso, da tecnologia, a era da informação, a cibercultura, tem sob os seus pés calçados da mais fina soberba a vida ininterrupta de homens, mulheres, crianças e idosos que foram triturados nas engrenagens que sustentam as benesses da sociedade do consumo, as cavernas refrigeradas com suas galerias de lojas, cinemas, cafés, fast foods, delivery, fitness, business são possíveis em razão de sequência de dias, anos, décadas, séculos do não silenciado a duros golpes do sim benevolente.

A sociedade de classe, a mão invisível do mercado, o modo de vida ocidental, a cultura judaico-cristã, as nossas vidas americanizadas, a nossa maneira de comer, de beber, de cagar, de amar precisam ser radicalmente negadas, apenas a negação de nós mesmos é que conseguiremos construir uma ordem das coisas na qual dizer não seja somente uma possibilidade e ao invés de um imperativo inadiável.

O sangue africano cobra! O sofrimento, o saque, o genocídio ameríndio cobra! Os quilombos gritam! Os malês gritam! Os cabanos gritam! Os zapatistas gritam! Os cubanos gritam! As periferias do mundo todo gritam!

Basta!

Não, de maneira única, eu canto!*