quarta-feira, 30 de abril de 2008

E o governo brinca de pira.

Aqui usarei o fato da ocupação da Reitoria da Universidade do Estado do Pará (UEPA) apenas como tema gerador de discussão e reflexão. No dia 24 de abril, quinta-feira, a UEPA teve sua Reitoria ocupada por estudantes que protestavam, entre outras coisas, contra a nomeação da Reitora pró-tempore Marília Brasil Xavier, pela Governadora. Reivindicavam, também, auditoria nas contas da UEPA, novas eleições, e fim da lista tríplice; após assembléia geral foi também incluída na pauta de reivindicações a luta pela paridade no CONSUN. A Reitoria da Universidade permaneceu ocupada até que no dia 25, sexta-feira, ocorreu uma assembléia geral dos Estudantes da UEPA a fim de decidir pelo fim ou não da ocupação e tomar outras deliberações de luta. Na assembléia formaram-se dois grupos: um a favor e outro contra a ocupação da Reitoria. Os alunos que são oposição ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) que estavam na ocupação, eram estudantes filiados ao PSTU, ao P-SOL e estudantes da UFRA, UNAMA e UFPA. Os alunos que fazem parte do DCE/UEPA que fazem parte da UJS e do PCdoB eram contra a ocupação da Reitoria, e contavam com apoio de um bom número de estudantes da própria UEPA porém eram a favor das reivindicações propostas. Infelizmente a Assembléia Geral tornou-se uma palhaçada, por culpa de ninguém, ou por culpa de todos. A Assembléia tornou-se uma briga entre partidos políticos, uns defendendo a ocupação outros gritando pela desocupação. Todos lutando por novas eleições, fim da lista tríplice, CONSUN paritário e Auditoria nas contas da UEPA. A única proposta conflitante entre os grupos do “ocupa” e “desocupa” era quanto à nomeação da Reitora pró-tempore, o que poderia ser superado. Todos lutavam pelo mesmo ideal. Abrindo um parêntese, quem participa do movimento estudantil sabe que, hoje, inevitavelmente o partidarismo influencia muito nas decisões políticas, e que existe na verdade uma briga extrema pelo poder, independente de satisfação social ou não, o que importa é o Poder. Porém, na esfera Estadual do movimento estudantil, tal disputa política não deveria influenciar tanto, se lutamos pelas mesmas coisas, para que achar um conflito para disputar, e enfraquecer a luta? - O que você quer não é o melhor, nem a paz, o que você quer é disputar poder com eles. - “Mas nós não vamos apoiar assim de graça um movimento deles. Só para fortalecê-los”. Enfim, a desunião desarticulada só enfraquece o movimento. E o governo brinca de pira com os estudantes da UJS e do PSTU.
30.04.2008 BlogdoPelego

terça-feira, 29 de abril de 2008

MAIS DE 2000 PESSOAS NO ATO, 3 QUARTEIRÕES DE MANIFESTAÇÃO, TROPA DE CHOQUE PARA PROTEGER O GOVERNO ANA JÚLIA E PALHAÇADA.

Foto: Manifestação em massa dos professores da rede pública por melhoria da qualidade da Educação.
Fonte: Site do SINTEPP
A força dos trabalhadores em Educação do estado do Pará foi mostrada hoje, 29.04.2008 em um grande ato público realizado pelo SINTEPP. As principais reivindicações dos professores são: a proposta de um patamar de reajuste salarial de 30% e ticket alimentação no valor de 400 reais. Antes da reunião de hoje a proposta do governo era de ticket alimentação de 100 reais ou 10% do salário, e aumento salarial de 6%. A concentração do Ato começou às 9h da manhã de hoje na Praça do CAN, logo após representantes dos professores e demais trabalhadores da educação reuniram às 11h20min com representantes do Governo do Estado. O movimento reuniu cerca de 2000 professores da rede pública, entre temporários e efetivos, respondendo às declarações do governo que diziam que a paralisação não chegava a 20% na grande Belém e nem sequer existia no interior do Estado, representantes em massa de Barcarena, Santo Antônio do Tauá e Salinas entre outros estavam presentes.
Enfim, o resultado da reunião com o Governo foi pior do que o esperado, a proposta de reajuste salarial do Governo ficou em 10% e a proposta de ticket alimentação baixou para 50 reais, PALHAÇADA, 50 reais não dá nem pra lanchar um “compreto” na esquina.
[Foto: Caminhada dos professores rumo ao CIG e à SEMEC(Fonte: Blog do PELEGO)] Resultado, o movimento dos professores da rede pública estadual continua em greve, porém sai fortalecido, o próximo encontro é dia 1º de maio na Praça do CAN na luta por melhores condições de trabalho e melhoria na estrutura das escolas públicas (merenda, espaço físico, Etc.) e no dia 6 de maio na Praça da Leitura haverá uma Assembléia para definir o andamento da greve e os próximos passos do movimento. Maiores comentários virão.
Professor Nairo Bentes

quarta-feira, 26 de março de 2008

Tudo isso me faria feliz (Melancolia)

Meus últimos textos foram “melancólicos” – ponho entre aspas pela definição não ser minha – apesar de poucos comentários, muitas pessoas Lêem este blog. Como a “melancolia” faz parte deste blog escolhi este título para o texto de hoje: “Tudo isso me faria feliz”. Mas discutir Educação não é fácil né. Principalmente com professores. “Professores Mal-Formados” (tudo que estiver entre aspas não são minha autoria, porém, concordo). Mas quem é o principal responsável pela formação de um Professor, a Faculdade ou o próprio? O que os diferencia no Mercado? Mercado, na Educação? Tudo é mercado! Talvez por isso a Educação seja mais difícil de ser compreendida, discutida e melhorada. Não é vista como mercado. Pelo menos pelo Governo; e alguns profissionais. Profissionais? Isso! Sim! Apesar de terem uma “Má-Formação”. E os lugares que dão certo? É trabalho! Enfim, Educação é luta e trabalho. Enriqueça.
Professor Nairo Bentes

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Carta Renúncia (a luta contraditória)

Esta carta foi entregue dia 17 de fevereiro de 2005, há 3 anos, quando desliguei-me oficialmente do DCE/CEFET-PA.
**********************************************************************************
**********************************************************************************
Eu, Nairo Bentes de Melo, estudante do Curso de Licenciatura Plena em Matemática do Centro Federal de Educação Tecnológica do Pará, venho apresentar-lhes a minha renúncia, em caráter irrevogável, ao cargo de Presidente do Diretório Central dos Estudantes do CEFET-PA, cargo para o qual fui eleito, juntamente com os demais camaradas, pelos estudantes deste Centro. Venho esclarecer que não é uma desistência, pois ficarei à disposição sempre que for solicitado. A renúncia deve-se à necessidade de conclusão de meu Curso que deve ocorrer no final de março, renuncio logo para que este Diretório adquira uma melhor organização, e que atual Diretoria se organize no sentido de envolver mais os estudantes dentro da função de uma organização, para que deixe de existir uma única referência dentro deste Diretório. Saio sem a sensação de dever cumprido, mas com a certeza de que esta Diretoria que continuará até final de junho, cumprirá com os compromissos, dentre os quais estão incluídos, a criação dos Centros Acadêmicos de cada Curso, o início de debates e palestras, para formação e informação sobre a polêmica Reforma Universitária, deverão também, dar continuidade ao Projeto Vestibular Solidário, enfatizando a importância do papel do professor, importância do trabalho voluntário e do envolvimento em atividades filantrópicas. Portanto, estas devem ser as metas, não da Diretoria do DCE somente, mas de todos os estudantes do Ensino Superior. Senhores Diretores, estudantes e professores mesmo achando não ter cumprido meu papel com devida dedicação, não se deve seguir os exemplos que temos nesta e em outras Instituições de pessoas que vivem à custa do movimento estudantil, se sustentando pelo movimento e com apoio financeiro de partidos políticos ou não, se eternizam nessa luta contraditória, esquecendo para que representam a base, se é para a formação do cidadão e evolução pessoal da nação, ou para sermos eternos rebeldes que criticam e não fazem nada além de criticar. Peço desculpas àqueles que se incomodaram com nossa maneira de agir, e alertamos que alguns setores dessa Instituição (CEFET) necessitam de reformulação total em sua organização hierárquica. Sem mais, saudações a todos os estudantes, professores e membros da comunidade cefetiana, e aos que mesmo sendo professores não sabem o que é ser professor.
17/02/2005 Nairo Bentes

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Os insetos espiam

Parece que existe um muro, ou uma linha que divide quem atua politicamente e quem não atua, ou ainda, aqueles que discutem política na mesa de um bar e aqueles que não discutem, existe uma distância, meramente aparente. Essa distância aumenta quando algumas pessoas, gozando de certa visibilidade internauta, fazem comentários ou “denúncias” que tem como único objetivo de sujar a imagem de outrem. Ultimamente o BlogdoBarata e o BlogdoRodrigoMoraes vem trocando posts direcionados. O BlogdoBarata direciona críticas à Gestão de Socorro Gomes à frente da SEJUDH, e ao Partido Comunista do Brasil, que ele julga, erroneamente, sem “visibilidade e densidade eleitoral”. Socorro Gomes trabalhou em seu mandato de Deputada Federal e trabalha ainda gloriosamente, agora em frente à SEJUDH, para o bem dos direitos humanos. O Partido Comunista do Brasil tem uma representatividade muito grande no Estado, principalmente na juventude secundarista e universitária, mas não deve ser da geração do Blog do Barata. O PCdoB é grande deve responder às críticas apenas com a continuidade de seu trabalho. O BlogdoRodrigoMoraes direciona comentários à origem dos posts de Barata, de quem quer que seja, é de alguém de dentro da SEJUDH pois têm informações pontuais a respeito do quadro funcional, e outra, ou é alguém que não é do PCdoB (o mais provável), ou é alguém que sairá do PCdoB. Enfim, estas picuinhas afastam a política boa e trabalhadora do povo, essas postagens como a do Blog do Barata, fazem com que se abram brechas para criticar por criticar até os partidos que realmente trabalham. Agora o que resta a se mostrar, é trabalho. Algumas páginas tenderão a cair no esquecimento após isto.
Nairo Bentes

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A escola dos meus sonhos.

Quando tive a idéia de escrever este texto, não veio outro nome em minha cabeça para o título a não ser este: A Escola dos Meus Sonhos. Tal título parece um tanto utópico, ou ainda algo do tipo Ruben-Alviano, mas enfim.... Já fui dar aula em alguns lugares como Abaetetuba, Viseu, Mosqueiro, São Miguel, ou em Belém mesmo, encarando diversas realidades, de local, infra-estrutura, alunos, de instrução, etc. Fui a alguns outros lugares que também chamam atenção, mas sem ser para trabalhar. Esqueci o nome deste último município que fui, na verdade nem soube o nome de lá. A escola era numa casa de alvenaria mal-acabada, não-rebocada, só com o vão para entrar, porém sem portas ou janelas para trancar, o telhado era com telhas comuns e com muitos buracos, foi bom que não choveu neste dia, a sala não tinha forro, os alunos eram crianças de 12 ou 13 anos, todos vestidos com roupas simples e sujas, a rua da frente da escola era de terra batida e molhada, pois o esgoto das casas desaguava na rua, e formava aquela lama constante. A rua ao lado, a escola era numa esquina, era de palafita feita com corda e madeira. Dentro da sala tinha uma porta ao fundo, fui ver o que era, entrei, tinham três camas e umas crianças deitadas, nelas conversando. Elas moravam lá. Entrei, conversei bem rápido com elas, fui pra fora da casa olhei para a rua.... vi um ônibus passando e pensei: como é que eu saio daqui. Depois pensei logo em seqüência: essas pessoas precisam de melhores condições, de pessoas interessadas em ajudá-las, voltei pra sala, fui dar aula, tive uma conversa bastante proveitosa com elas, algumas saíram e foram embora, outras conversaram comigo, até seus pais já estavam lá. Foi bastante produtivo. Algumas políticas são assistencialistas e não ensinam a “pescar”, e em alguns lugares nem o Assistencialismo chega. Eu acho realmente que este lugar existe, isso foi um sonho que tive. 07/02/2008 Nairo Bentes

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

"Assistir aula é muito chato"

Foto: Alunos em sala de aula em um sábado de manhã no município de Viseu-PA.
(by Cleber Wandenkolk, 2007)

Existe uma história mais ou menos assim...

"Uma pessoa ficou congelada durante anos, 500 anos... em 2508 saiu e ficou espantada com o que encontrara, no lugar de carros, naves - no lugar de lanches e refeições, comprimidos - ninguém falava com ninguém, essa pessoa ficou assustada. Correu para o supermercado só viu robôs fazendo compras, correu para diversos lugares e não reconhecia nada, só se apavorava, até que entrou em uma escola, em uma sala de aula, entrou com medo do que encontraria, viu os alunos dispostos em fileiras, sentados, e o professor na frente. Parou e pensou 'aqui eu estou em casa'."

Não lembro quando, nem onde, nem de quem eu ouvi essa parábola, mas ela nos remete a uma reflexão, de que tudo parece evoluir e a escola, mais precisamente a sala de aula, está parada no tempo. Precisamos rever essa prática? Qual é a função da escola? As aulas que são comumente tradicionais são chatas ou não atraentes?

Eis o que me levou a refletir novamente sobre esse tema, um professor que dá aula nos melhores colégios e cursinhos de Belém, não sei se feliz ou infelizmente proferiu a frase em uma sala de aula cheia de professores e pedagogos "ASSISTIR AULA É MUITO CHATO", e repetiu a frase por várias vezes, ele estava dando aula num cursinho preparatório para o concurso da SEDUC-PA, e numa sala cheia de educadores, ninguém se manifestou após aquela frase, nem eu, por dois motivos não me manifestei, 1º estávamos numa sala de cursinho e não numa Universidade, 2º aquela frase me fez refletir minha prática e minha história. Aquele cara havia sido meu professor no ensino médio, fez outra graduação além da Licenciatura, também na área de educação, fez pós-graduação na mesma área, e estava ali dizendo o quanto era chato assistir aula, que os alunos ficam em sala e não sabem por que estão lá escutando o professor falar. Algumas pessoas riram em sala depois que ele falou isso, outras ficaram caladas. Consentiram?

Primeiro pessoalmente, no meu trabalho objetivo fazer o melhor para que o meu aluno entenda o que for necessário, e que sinta vontade de ascender socialmente, de aprender, que sinta também o mínimo de prazer de estar ali. Não acredito que em uma turma de ensino médio noturno, em uma escola pública, numa zona periférica os alunos que ali estão não queiram nada, não entendam por que estão ali. Agora reflito, será que os professores que estão em sala, queriam estar ali, sentem prazer em sala de aula? Porque se eles não sentem prazer em dar aula, não são os alunos que vão sentir em assistir.

Creio que Motivação e Prazer são sentimentos pares que devem ocorrer de todos os lados para serem reais. A motivação parte de maior responsabilidade do aluno e o prazer deverá partir do professor, não incumbindo a estes a inteira responsabilidade, mas a maior parte. E a motivação do aluno deve ser despertada pelo professor, o que faz a responsabilidade deste ser maior. Não vou entrar em criticas diretas pessoais à colegas de profissão, mas pouco vejo motivação e prazer em alguns professores. Cada um é responsável por sua prática. Voltando ao que disse o Professor em questão "Assistir aula é muito chato" acho que realmente falou isso por que seja um pouco de verdade na cabeça dos alunos, mas o mais importante é instigar os profissionais da educação para que revejam sua prática, talvez ele tenha errado por tocar apenas na questão do não uso de tecnologias para justificar a "chatice", e não falar na questão de motivação e prazer do professor, que creio eu, é mais fundamental. O professor tem que começar a ser questionado para se questionar e suscitar melhoras em sua prática diária.

Se o Professor, em geral, pensa que o aluno acha que “Assistir aula é muito chato” é bem provável que o aluno pense "Deve ser muito chato dar aula". (Nairo Bentes)

domingo, 23 de dezembro de 2007

O rolo do Rolex (Zeca Baleiro)

"NO INÍCIO do mês, o apresentador Luciano Huck escreveu um texto sobre o roubo de seu Rolex. O artigo gerou uma avalanche de cartas ao jornal, entre as quais uma escrita por mim. Não me considero um polemista, pelo menos não no sentido espetaculoso da palavra. Temo, por ser público, parecer alguém em busca de autopromoção, algo que abomino. Por outro lado, não arredo pé de uma boa discussão, o que sempre me parece salutar. Por isso resolvi aceitar o convite a expor minha opinião, já distorcida desde então. Reconheço que minha carta, curta, grossa e escrita num instante emocionado, num impulso, não é um primor de clareza e sabia que corria o risco de interpretações toscas. Mas há momentos em que me parece necessário botar a boca no trombone, nem que seja para não poluir o fígado com rancores inúteis. Como uma provocação. Foi o que fiz. Foi o que fez Huck, revoltado ao ver lesado seu patrimônio, sentimento, aliás, legítimo. Eu também reclamaria caso roubassem algo comprado com o suor do rosto. Reclamaria na mesa de bar, em família, na roda de amigos. Nunca num jornal. Esse argumento, apesar de prosaico, é pra mim o xis da questão. Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado? Lançando mão de privilégio dado a personalidades, utiliza um espaço de debates políticos e adultos para reclamações pessoais (sim, não fez mais que isso), escorado em argumentos quase infantis, como "sou cidadão, pago meus impostos". Dias depois, Ferréz, um porta-voz da periferia, escreveu texto no mesmo espaço, "romanceando" o ocorrido. Foi acusado de glamourizar o roubo e de fazer apologia do crime. Antes que me acusem de ressentido ou revanchista, friso que lamento a violência sofrida por Huck. Não tenho nada pessoalmente contra ele, de quem não sei muito. Considero-o um bom profissional, alguém dotado de certa sensibilidade para lidar com o grande público, o que por si só me parece admirável. À distância, sei de sua rápida ascensão na TV. É, portanto, o que os mitificadores gostam de chamar de "vencedor". Alguém que conquista seu espaço à custa de trabalho me parece digno de admiração. E-mails de leitores que chegaram até mim (os mais brandos me chamavam de "marxista babaca" e "comunista de museu") revelam uma confusão terrível de conceitos (e preconceitos) e idéias mal formuladas (há raras exceções) e me fizeram reafirmar minha triste tese de botequim de que o pensamento do nosso tempo está embotado, e as pessoas, desarticuladas. Vi dois pobres estereótipos serem fortemente reiterados. Os que espinafraram Huck eram "comunistas", "petistas", "fascistas". Os que o apoiavam eram "burgueses", "elite", palavra que desafortunadamente usei em minha carta. Elite é palavra perigosa e, de tão levianamente usada, esquecemos seu real sentido. Recorro ao "Houaiss": "Elite - 1. o que há de mais valorizado e de melhor qualidade, especialmente em um grupo social [este sentido não se aplica à grande maioria dos ricos brasileiros]; 2. minoria que detém o prestígio e o domínio sobre o grupo social [este, sim]". A surpreendente repercussão do fato revela que a disparidade social é um calo no pé de nossa sociedade, para o qual não parece haver remédio -desfilaram intolerância e ódio à flor da pele, a destacar o espantoso texto de Reinaldo Azevedo, colunista da revista "Veja", notório reduto da ultradireita caricata, mas nem por isso menos perigosa. Amparado em uma hipócrita "consciência democrática", propõe vetar o direito à expressão (represália a Ferréz), uma das maiores conquistas do nosso ralo processo democrático. Não cabendo em si, dispara esta pérola: "Sem ela [a propriedade privada], estaríamos de tacape na mão, puxando as moças pelos cabelos". Confesso que me peguei a imaginar esse sr. de tacape em mãos, lutando por seu lugar à sombra sem o escudo de uma revista fascistóide. Os idiotas devem ter direito à expressão, sim, sr. Reinaldo. Seu texto é prova disso. Igual direito de expressão foi dado a Huck e Ferréz. Do imbróglio, sobram-me duas parcas conclusões. A exclusão social não justifica a delinqüência ou o pendor ao crime, mas ninguém poderá negar que alguém sem direito à escola, que cresce num cenário de miséria e abandono, está mais vulnerável aos apelos da vida bandida. Por seu turno, pessoas públicas não são blindadas (seus carros podem ser) e estão sujeitas a roubos, violências ou à desaprovação de leitores, especialmente se cometem textos fúteis sobre questões tão críticas como essa ora em debate. Por fim, devo dizer que sempre pensei a existência como algo muito mais complexo do que um mero embate entre ricos e pobres, esquerda e direita, conservadores e progressistas, excluídos e privilegiados. O tosco debate em torno do desabafo nervoso de Huck pôs novas pulgas na minha orelha. Ao que parece, desde as priscas eras, o problema do mundo é mesmo um só -uma luta de classes cruel e sem fim." JOSÉ DE RIBAMAR COELHO SANTOS, 41, o Zeca Baleiro, é cantor e compositor maranhense. Tem sete discos lançados, entre eles, "Pet Shop Mundo Cão". Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2910200708.htm

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

PCdoB e UJS decidem apoiar a candidatura de ANA CLAUDIA HAGE para reitoria da UEPA.

O partido Comunista do Brasil e a União da Juventude Socilaista decidiram apoiar a candidatura da professora Ana Claudia Hage para a disputa da reitoria da UEPA.O apoio foi decidido em uma reunião de mais de 4 horas na sede do partido Comunista.A candidatura de Ana Claudia Hage representa na visão dos comunistas a que mais conhece a realidade da Uepa e que tem um projeto politico-acadêmico de gestão que atende o interesses da sociedade do Estado.Com muita luta e assistência estudantil vamos mudar a UEPA... Fonte: BlogdoRodrigoMoraes: Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007 às 10:11
*
*
Professora da UEPA do Centro de Educação, Ana Cláudia Hage Com certeza é a pessoa que, se Reitora da Universidade do Estado do Pará, fará a melhor gestão entre os atuais candidatos. O apoio a uma Canditatura de Reitoria não deve ser orientado por uma decisão político partidária superior, cada um tem consciência do que significa este apoio, acordos em vésperas de eleição acabam por muitas vezes logo após a eleição.
Voto em Ana Cláudia Hage simplesmente por achar que ela é a candidata melhor preparada para organizar a UEPA, e que projetos ímpares serão realizados em sua gestão.
Nairo Bentes

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Debate no Orkut vamo ver no que dá.

Vamos ver como as pessoas de uma comunidade anti-cotas do orkut reagem em frente a algumas indagações, escrevi isso pra galera no link http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=40260&tid=2560585261285484003&na=2&nst=36
"Sinceramente, às vezes pra entrar em um debate é preciso ler um pouco, as cotas não são pensadas de uma hora para outra por que os negros querem ser melhores que os brancos. Vocês realmente acham que não existe racismo no Brasil? Ana Paula nunca sentiu que foi discriminada por ser negra? Acho que um pouco de leitura não faz mal a ninguém. Será que as cotas realmente vão criar uma segregação? Será que já não exixte essa tal segregação? As cotas vão criar um racismo? Acho que tanto para ser a favor quanto para ser contra, tem que se ter lido bastante, algumas leituras que recomendo para se fazer parte do debate são essas http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=30580454&tid=2539753896743704448 para debater cotas não é apenas dizer sim ou não,acho que tem que se interar bastante do assunto, esse tópico de vocês poderia ser mais produtivo caso vocês se interessassem mais pela leitura do assunto.Alguns tipos de preconceitos são criados por conta de esteriótipos que a sociedade eterniza e reproduz, como o caso da maioria pobre ser negra, da maioria dos indigentes serem negros, isso cria na mente das pessoas esteriótipos do tipo "todo negro a noite na rua de bicicleta é ladrão" além da discriminação estrutural que existe na sociedade brasileira, as políticas que foram trabalhadas até o início deste século só fazem manter e reproduzir a segregação étnico-racial e as desigualdades existentes no Brasil, de modo que o filho de uma família pobre não tenha aspiração nenhuma de se dar bem na vida, seus filhos serão pobres, e seus netos também, e o esteriótipo é alimentado. Qualquer exemplo que contrarie isso são meras exceções. Então,não somente o sistema de cotas, como outras políticas de ação afirmativa visam acabar com esse retrato da sociedade atualmente, e dar fim as possibilidades de existência de esteriótipos que discriminem negros. Tentando reduzir um preconceito racial, ou um racismo ideológico camuflado que existe na sociedade brasileira. Espero que respondam "Existe racismo no Brasil na opinião de cada um de vocês?"
Nairo Bentes