quinta-feira, 10 de maio de 2012
domingo, 6 de maio de 2012
O jogo começou, aperta Start...
...na vida você ganha, cê perde, meu filho.
Faz parte!
***
Você é o reflexo do espelho do seu pai.
Eu também!
Uma coisa eu aprendi, planto amor pra colher o bem.
Faz parte!
***
Você é o reflexo do espelho do seu pai.
Eu também!
Uma coisa eu aprendi, planto amor pra colher o bem.
(Loadeando, Marcelo D2 e Stephan)
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Aviso Importante
Atenção: Mudança de local da Assembleia do Sintepp, não será mais na sede do Paysandu, novo local abaixo.
ASSEMBLEIA DO SINTEPP
DATA: 27/04/2012
LOCAL: CCNT/UEPA
(Tv. Enéas Pinheiro, 2626, entre João Paulo II e Av. Perimetral)
HORÁRIO: 8h
Mais informações no site:
http://www.sintepp.org.br
ASSEMBLEIA DO SINTEPP
DATA: 27/04/2012
LOCAL: CCNT/UEPA
(Tv. Enéas Pinheiro, 2626, entre João Paulo II e Av. Perimetral)
HORÁRIO: 8h
Mais informações no site:
http://www.sintepp.org.br
segunda-feira, 19 de março de 2012
Por que aprender tabuada, papai?
Uma coisa que muitos estudantes, crianças ou não, devem se perguntar é:
por que cargas d’água, quando somos crianças, temos que decorar tabuada?
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Não vou nem dizer “aprender”,
embora seja, pois o exercício da memória faz parte do aprendizado. Temos que decorar
mesmo. Enquanto crianças, importante frisar.
Não vou falar aqui das
dificuldades em matemática de alunos do 1º, 2º ou 3º anos, que insistem em
querer utilizar a calculadora nos exercícios e nas provas de matemática.
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A calculadora é um mal, mal que
vicia. Já vi aluna do 3º ano do ensino médio fazendo conta do tipo 3x8 na
calculadora. Que dificuldade uma pessoa pode ter em realizar o cálculo 8+8+8?
Puro vício! Dependência! Pensa que não consegue fazer. A pessoa fica burra
mesmo.
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Vamos falar das dificuldades de
um aluno da 6ª série. Afinal, a tabuada deve ser aprendida nas séries iniciais
do ensino fundamental, na 6ª série, ou 7º ano, deve tudo já estar, senão na
ponta da língua, na ponta do lápis e na mente. Lá na frente você vai ver que
não decorou tudo, e sim, aprendeu como se faz.
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Vamos pra 6ª série.
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Na 6ª série o aluno aprende a
resolver equações, tem seu primeiro contato com esse tipo de operação
matemática. Ele não vai decorar: o que tá positivo, passa pro outro lado
negativo; o que tá negativo, passa pro
outro lado positivo; o que tá dividindo, passa multiplicando; o que tá
multiplicando, passa dividindo. Ele vai aprender a balancear a equação; que toda
equação tem dois membros equilibrados pelo sinal de igualdade. Vai eliminando
um elemento de cada vez do primeiro membro até sobrar só o x. Acho que isso vocês não precisam aprender aqui, já devem saber.
_
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E o aluno aprende a resolver uma
equação... Não é difícil. Todo aluno aprende. Agora, se ele não tiver aprendido
tabuada, de nada vai adiantar ele saber como resolver uma equação, se ficar
errando continha.
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Na imagem abaixo vocês veem um
exemplo prático disso, o aluno sabia como resolver a equação, só errou as
continhas...
A propriedade distributiva da multiplicação ele acertou (1ª linha). Se ele não tivesse errado “21
menos 6” (3ª linha) – que talvez tenha errado
por desatenção, ou não, pois não foi o único erro da prova – e depois ainda
errou “27 dividido por 3” (5ª linha), se não tivesse errado essas continhas teria
resolvido tranquilamente sua equação.
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Perdeu pra tabuada.
Perdeu pra continha.
Perdeu playboy. Perdeu.
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E assim os alunos chegam no
ensino médio, quando têm que aprender função, análise combinatória,
geometria espacial, estatística, etc. Se não se cuidarem, acabam perdendo
pra continha!
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Um abraço!
Prof. Nairo Bentes
quarta-feira, 14 de março de 2012
Paradoxo na classe trabalhadora: Professores em greve e alunos prejudicados.
Quando se fala em greve de
professores, não existe maior polêmica do que responder a questão: “e aí, como ficam os estudantes que infelizmente estudam em
colégios públicos?”. Primeiramente, é oportuno dizer, não inventei esta
frase da minha cabeça, a vi no facebook de um amigo, hoje, quando indagado por
um aluno se este ano, 2012, teria greve novamente, uma aluna lançou este
questionamento.
“Infelizmente.”
“Infelizmente.”
“infelizmente.”
Esse “infelizmente” ficou
martelando a minha cabeça...
Do lado dos trabalhadores em
educação, existe uma maneira simples de interpretar a necessidade de uma greve.
Se, por exemplo, utilizarmos a situação atual para justificar uma greve. O
governador Simão Jatene, se recusa a pagar o piso nacional do magistério
estipulado por lei, hoje o equivalente a R$ 1451,00. Como o governador se
recusa, os trabalhadores em educação, organizados, paralisam suas atividades
para pressionar o governo a negociar e pagar o piso na sua integralidade.
Governo e trabalhadores não entram em acordo, e a greve se prolonga...
“infelizmente.”
“infelizmente.”
“infelizmente.”
Os estudantes, em sua maioria,
não acham a greve saudável, não que não concordem, eles até ‘entendem’ que os
professores tem os seus direitos e tal... mas se sentem prejudicados pela
paralisação das atividades escolares.
Embora, nas atividades do Sintepp apareçam alguns representantes de entidades
estudantis, são apenas uma ‘vanguarda’ que não consegue esclarecer a base de
suas ideias.
Alguns alunos questionam. Querem
passar no vestibular. Estudar!
Alguns professores dizem que
estes alunos 'questionadores' são os que menos querem assistir aula.
Alguns alunos dizem que os
professores não pensam neles. Que os professores são vagabundos.
Os professores, quando retornam
às atividades, ouvem dos alunos que não era pra greve ter acabado...
“Quando vai ter greve de novo
professor?”
Os alunos perguntam pros
professores se eles ganharam alguma coisa.
Alguns professores ficam pensando
como vão dizer pros alunos aquilo que a vanguarda do sindicato lhes explicou:
“Foi uma vitória política!”
Alguns professores grevam em
casa. Isso enfraquece. Mais importante que a paralização das atividades, é o
povo na rua.
Na verdade, todos deviam ir para
a manifestação: professores, funcionários, alunos e pais.
Mas quem os conscientiza?
Os alunos entendem que a greve é
só porque os professores querem aumentar os seus salários.
Como os alunos vão pra rua, se
eles “infelizmente estudam em colégios públicos”?
“infelizmente.”
O governo se desgasta?
Um pouco.
A intenção era essa?
Acho que não.
O calendário atrasa?
Muito.
Oh, nobre revolucionário
proletário! Quem é prejudicado, o Estado Burguês, a burguesia, ou a Classe
Trabalhadora?
Resposta: Nossa ‘Classe em si’,
justamente por ser ‘em si’. Pois se fosse ‘para si’, colocaria milhões de
pessoas nas ruas, não haveria professor chamando aluno de vagabundo, nem aluno
chamando professor de preguiçoso. Não haveria professor grevando em casa, e nem
aluno torcendo para a greve não acabar.
Precisamos encontrar uma melhor
maneira de nos organizar, não sem greve, mas, com uma consciência de classe que
nos permita uma organização mais massiva e reflexiva.
Estando sempre abertos ao diálogo, deixem suas impressões.
Um abraço.
Prof. Nairo Bentes
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Convite: Roda de Conversa
Roda de conversa sobre a "Pedagogia
das competências" com a Profª Dra. Lucília Machado
Data: 07/03/2012 às 9h
Local: Sala 12 do PPGED/ICED/UFPA
Realização: Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Trabalho e Educação.
Professora Lucília Machado atualmente é coordenadora e professora do Mestrado em Gestão Social, Educação e
Desenvolvimento Local do Centro Universitário UNA (Belo Horizonte,
Brasil).
Tem se dedicado às temáticas: 1. políticas, programas e projetos
de desenvolvimento, especialmente socioeducacional, com ênfase no mundo
do trabalho, mercado de trabalho, ciência, tecnologia, emprego,
trabalho, educação, cultura e qualificação profissional; 2. gestão
pública e social, especialmente educacional, com foco na qualidade
social, demandas e ofertas, legislação, decisões, acompanhamento e
avaliação; 3. desenvolvimento, apropriação e utilização de tecnologias
sociais e educacionais; 4. pedagogia do trabalho, saberes do trabalho e
saberes profissionais; 5. inovações na educação básica, profissional e
superior, com ênfase em escola unitária, educação integral e
politécnica, organização do trabalho escolar, trabalho e formação de
professores, qualificação de trabalhadores, tecnologia e educação.(fonte: http://lattes.cnpq.br/027588883014451)
domingo, 19 de fevereiro de 2012
"Todo mundo odeia" atendente de telemarketing.
Tem gente que vive viajando, eu já viajei algumas
vezes. Em uma dessas viagens pelas beiradas de São Paulo para fazer um Curso de
Formação Marxista – daqueles que a gente fica confinado 15 dias num
Hotel-fazenda e não tem nenhum diazinho de folga pra tomar um Chopp da Brahma
na esquina da Ipiranga com a São João – eu, sem ter o que fazer, além de
estudar as teorias de Marx, bater-papo e tomar cerveja, comprei um DVD de um
velho cabeça-branca e bigode branco que está em todos esses congressos em que a
vanguarda dos trabalhadores brasileiros se organiza, acho que é Gilberto o nome
dele.
O DVD continha vinte curta metragens de variadas
temáticas, tinha de Rap, Samba e Gravidez na adolescência, entre os variados
temas, o que mais me chamou atenção foi “A História Secreta do Telemarketing” o
filme é “muito bom”, só vocês vendo.
Pois bem, depois de ver este filme, que, na
verdade, assisti dois anos depois de ter comprado o tal DVD do velho Gilberto,
lembrei de um dos meus diálogos históricos com as atendentes de telemarketing.
Lembram-se
daquela promoção da TIM na qual você ganhava bônus de 500 minutos por mês para
falar de TIM pra TIM? Pois então, tinha uma outra, no mesmo período, na qual o
custo da ligação pra qualquer TIM era cobrado por apenas R$ 0,07 o minuto. Como
tínhamos que optar por uma das duas promoções, eu optei pela segunda, e aí,
recebi uma ligação da atendente da TIM...
- Boa
tarde, Senhor!
- Boa
tarde.
- Meu
nome é Valdirene, eu falo em nome da Operadora TIM, você sem fronteiras. O
Senhor pode falar agora ou está ocupado?
- Posso
falar, seja breve.
- O
Senhor é usuário do telefone 81**-****?
- Sim.
- Está
registrado aqui em nossos sistemas que você ainda não aderiu a promoção de 500
minutos grátis por mês de TIM pra TIM.
- É, eu
não quero essa promoção, eu tenho outra.
- Sim,
Senhor. Estou vendo em nossos sistemas que o Senhor no momento está com a nossa
promoção antiga ativada, em que paga sete centavos por minuto de TIM pra TIM.
- Sim, eu
quero continuar com essa. É só isso?
- Sim,
Senhor. Mas nós temos uma promoção melhor ainda. Ao invés de você pagar sete
centavos por minuto você vai ligar de graça!!! Você pode aderir agora mesmo
essa promoção, deseja fazer isso agora??
- Não, eu
quero continuar com a promoção de sete centavos...
- Mas o
senhor prefere pagar sete centavos o minuto do que ligar de graça por
QUINHENTOS minutos??
- Sim,
prefiro.
- Senhor,
esta é uma oportunidade única que a Operadora TIM sem fronteiras está
oportunizando pra você!!
- Mas eu
prefiro pagar sete centavos por minuto. Preste atenção, se eu tiver 500 minutos
grátis, os minutos que excederem esses 500 minutos eu vou pagar R$ 1,25 por
cada minuto. Se você ver a minha conta da TIM, você vai perceber que eu utilizo,
em média, 1000 minutos.
Faça as
contas. Se eu tiver a promoção de sete centavos o minuto, e utilizar 1000
minutos, vou pagar 0,07x1000, que vai dar R$70,00. Agora, se eu tiver a
promoção de 500 minutos grátis por mês e utilizar 1000 minutos, não vou pagar
os 500 minutos, e os outros 500 minutos vou pagar R$ 1,25 cada minuto. Ou seja,
1,25x500, que vai dar R$ 625,00.
Observe,
permanecendo na promoção atual, eu pago setenta reais, e se eu passar para a
promoção super-vantajosa que você está me oferecendo, eu vou pagar seiscentos e
vinte e cinco reais. Entendeu?
- Sim, Senhor.
Entendi. A TIM agradece a sua ligação...
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
É.... 2012 tá Chegando!!!!
Olá caros e saudosos leitores, primeira postagem de 2012 depois de mais de 3 meses de paralização neste blog.
Por falar em paralização, o título desta postagem não é em virtude de ainda não termos tido nenhuma postagem desde o reveillon de 2011-2012, mas sim, por que, embora hoje seja o décimo quarto dia do segundo mês do ano, ainda estamos no findar do ano letivo de 2011 nas Escolas Públicas Estaduais da capital paraense.
Claro que todos sabem aqui, que isso ocorre em consequência do atraso do calendário escolar provocado por sucessivas greves, extremamente necessárias, que ocorreram na Educação pública nos últimos quatro anos.
Porém, o calendário pós-greve ocorre de maneira diferenciada nas escolas paraenses, isso em virtude das USE's (Unidade SEDUC na Escola) cada uma agir como se fosse uma Secretaria de Educação diferente, algumas mandando as escolas adiantarem suas avaliações, e outras tentando cumprir 200 dias letivos. Essa diferenciação de organização, ocorre inclusive se compararmos duas escolas coordenadas pela mesma USE e que sempre entraram em greve no mesmo período.
Por fim, desculpe o período sem postagem caríssimos leitores, peço a todos que divulguem o blog.
Um abraço especial para os alunos das Escolas Raymundo Vianna, Acy de Barros e Honorato Filgueiras.
Ah! "Diferenciação de organização" é um belo eufemismo para Desorganização.
Até mais!
Prof. Nairo Bentes
terça-feira, 8 de novembro de 2011
O Nilson falou: “o STF não disse nada, se é pra pagar o piso agora, ou daqui a pouco.”
Quem
vem acompanhando os noticiários nas TVs locais, está ligado, só se fala nisso: “a
greve dos professores prejudica milhares de alunos em todo o Estado”.
Nós,
professores, quando ouvimos uma notícia dessas, chegamos até a nos sentir responsabilizados
pelo prejuízo que é acarretado aos nossos alunos. Porém, quando aparece um
cara-de-pau como o Senhor Deputado Secretário de Promoção Social Nilson Pinto de Oliveira, falando na televisão provocações à categoria dos profissionais da Educação,
temos certeza que os únicos responsáveis pelo prejuízo causado aos alunos de
escolas públicas são estes senhores que hoje administram o Governo do Estado do
Pará, Simão Jatene e quadrilha Ltda.
Hoje,
o tal do Nilson Pinto foi no Bom dia Pará. Quando perguntado pelo jornalista da
TV Liberal, o Porquê do Governo e a SEDUC desrespeitarem o pagamento do piso,
já que se trata de uma lei federal
sancionada em 2008. O então secretário, respondeu dizendo: “a Lei é de 2008,
mas alguns Estados entraram com uma ação de inconstitucionalidade, e só em
agosto de 2011 que o STF publicou um acordão dizendo que a lei é constitucional.
Mas o STF não disse nada, se é pra pagar o piso agora, ou daqui a pouco.”
É,
caros leitores, ele disse isso: “o STF não disse nada, se é pra pagar o piso agora, ou daqui a pouco.”
“Se
é pra pagar o piso agora, ou daqui a pouco”
P*##@!
Não sei nem o que eu te digo Nilson Pinto de Oliveira!!!
Vai
ler um pouco da lei, que o senhor e o seu chefe estão descumprindo, e leia seu Artigo 8o o qual diz: “Esta Lei
entra em vigor na data de sua publicação.” E depois fala, se é pra pagar agora
ou daqui a pouco!
Foi muito autocontrole pra não escrever várias palavras de baixo
calão aqui pra esse cara!!!
Amanhã tem um grande ato público com concentração às 9h no trevo
do Satélite partindo em caminhada em direção à SEDUC.
Todos lá!
Grande abraço!!!
Prof. Nairo Bentes
P.S: Tuítem para o secretário a opinião de vocês: @DepNilsonPinto
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Brasileiro(*)
Mais um dia, mais uma manchete. Ao sair de casa para trabalhar, Zaqueu pegou um jornal na banca de revistas da esquina e, sem o mínimo espanto, leu a primeira página, que estampava mais um caso de corrupção. Ministro fulano é acusado de suborno, presidente nega conhecimento. Deputado diz que não tem conta bancária no exterior, senador implicado em esquema de fraudes em licitação. Tanto faz o que era. No outro dia, esses mesmos jornais estão com outras matérias e os anteriores estão forrando gaiolas, embrulhando peixes ou servindo de recortes para trabalhos escolares, o barulho é efêmero e a opinião pública, volátil. Daqui a alguns anos todos voltam, eleitos e reeleitos. Somos cordiais, cristãos, perdoamos, aceitamos, comungamos, elegemos, trabalhamos, desenvolvemos, lemos, amamos e vivemos, absortos nos nossos infernos, públicos e privados, altruisticamente egoístas.
Zaqueu tomou o ônibus na quinta quadra do Setor Sudoeste e encaminhou-se para a Esplanada, onde trabalhava no Ministério dos Transportes como analista administrativo. Entrou no prédio, bateu o ponto com seu polegar. Pensou o que pensava todos os dias, Como alguém que não tivesse as mãos poderia bater aquele ponto biométrico? Riu sozinho da observação, como sempre, pois que valia tem alguém que não tem as mãos para o serviço público? Como vai carimbar, assinar, registrar, segurar as xícaras que substituíram os copinhos de café? Chegou ainda sorrindo à sua mesa, no segundo andar, o que lhe valeu a simpatia dos seus colegas. Sempre apreciamos pessoas felizes, alegres, radiantes, simpáticas.
Trabalhava com processos administrativos. Basta que se diga isso, pois tudo na administração pública compõe processos, desde a aquisição de papel higiênico até a concessão de passagens para os assessores do ministro irem para Fortaleza participar de eventos nos resorts cearenses. Uma sucessão de papéis, numerados e rubricados, contendo atas, editais, nomes, atestos, carimbos e mais uma extensa lista de abstrações documentadas, reunidas num volume organizado criteriosamente, com o pretexto de atribuir lisura e legalidade aos atos administrativos. Qualquer desavisado, selecionado às escuras numa escola, pública ou privada, que botasse a vista no conteúdo das caixas de plástico que repousam na mesa de Zaqueu não lhes atribuiria nenhuma dessas divinas qualidades. Diria apenas que é uma pilha de papel, apropriada para os mesmos usos dos jornais de ontem.
Para Zaqueu não era diferente. Se botassem um baú cheio de merda no lugar daqueles papéis mofentos a sua frente, limitaria-se a colocar luvas e máscara e prosseguiria com o manuseio, esperando, como sempre, o primeiro dia útil de cada mês, único dia em que acreditava no que estava fazendo. O pagamento e a estabilidade num país como o nosso, tudo isto conta muito. E além do que, não é tão ruim assim trabalhar sete horas por dia revirando documentos, revisando, listando itens essenciais e supérfluos. Poderia ser pior, afinal, há pessoas que realmente lidam com baús de merda. Este pensamento sempre animava Zaqueu, como uma piada que lembramos sozinhos e não dividimos com os outros, receosos que a graça se perca.
Hora do almoço. Zaqueu desceu os dois andares pela escada e, chegando ao térreo, foi ao banheiro. Esperou que um outro servidor público saísse e logo depois entrou para o sanitário, fechando o trinco da porta. Próximo ao chão, deslocou um azulejo que estava solto, revelando um buraco que continha uma caixa de ferramentas, que puxou para fora, botando em seguida o azulejo de volta. Rapidamente saiu à rua, que a esta hora estava apinhada de funcionários públicos, pegando seus carros ou comendo lá mesmo, em carrinhos que vendem comida. Pegou um táxi e disse ao motorista que o deixasse no Memorial JK.
Conversou animadamente com o taxista sobre futebol, era quarta-feira e o time para o qual torciam iria jogar contra o líder do campeonato naquela altura. Chegaram. Demorou um pouco pois era quarta-feira, muitos parlamentares e assessores, muitos carros e poucas vias para os mesmos poucos lugares. Zaqueu pagou trinta reais e disse para o outro ficar com o troco, um e vinte e cinco, prontamente aceitos pelo taxista. Desceu ansiosamente do carro e pôs-se a caminhar e já ia a uns duzentos metros quando sentiu uma mão pesada no seu ombro. Assustado virou-se e viu que era o motorista com a caixa de ferramentas: havia esquecido no carro. Agradeceu e quis até lhe dar mais dinheiro, mas, quando ia pegar a carteira, desistiu. Deixou na conta da gentileza e ambos seguiram seus caminhos.
Zaqueu caminhou pelo imenso canteiro, de mato ralo e algumas árvores, enquanto os carros seguiam pelas veias e artérias da capital. O clima estava quente, mas seco e soprava uma agradável brisa. Depois de ter andado um bom bocado, subiu numa árvore pequena e ficou observando o movimento da via. Sentiu de repente uma grande paz, e foi neste estado que tirou as partes do rifle, que estava desmontado dentro da caixa de ferramentas. Montou cuidadosamente, lustrando as partes com uma flanela laranja e checando cada peça, cano, gatilho, trava. Colocou uma mira de longo alcance na alça e carregou a arma. Apoiou a soleira no ombro direito e observou pela lente. Ele não deve demorar muito, pensou.
Demorou vinte minutos. Na entrada da refinada churrascaria parou um carro importado, alemão, preto. A placa oficial não deixava dúvidas, era muito importante a pessoa que descia do carro, rumo à porta do restaurante. Zaqueu olhou aquela cara, aquele bigode, aqueles anos todos, aquelas manchetes todas, aqueles dias todos. Hoje é diferente, pensou Zaqueu, hoje alguém vai reagir. O senador caminhava lentamente, com seu passo solene de autoridade, cercado de assessores e um segurança que, desacostumado às ameaças, distraidamente falava ao celular. Quando chegou em frente à porta de vidro, que um dos seus asseclas abriu prontamente, parou. Sentiu que esquecia alguma coisa, bateu com as mãos nos bolsos do paletó. Não deve ser nada, pensou, ainda querendo saber o que era. Foi pouco tempo que durou este pensamento porque Zaqueu apertou o gatilho e a bala foi mais rápida que a memória do senador, que já andava um tanto falha, e logo os neurônios do parlamentar decoraram a vitrine da entrada da churrascaria, onde estavam expostas algumas peças de carne bovina sob uma luz forte, simulando fogo.
O tumulto foi generalizado, os seguranças corriam de um lado para o outro sem saber o que fazer, ligaram para polícia, para o exército. As pessoas ilustres, outros parlamentares, empresários reunidos com eles, todos saíram para ver o corpo do velho oligarca quase sem cabeça, estendido na entrada. Os mais afoitos fotografavam, os cinegrafistas amadores filmavam com seus telefones. Zaqueu assistiu à aglomeração, ao furdunço, de longe, ainda trepado na árvore. Quis contemplar por alguns momentos o seu feito. Por alguns segundos, ele se demorou ali, parado, com o espanto estampado no rosto, enquanto segurava o rifle ainda quente do tiro. De súbito, despertou e limpou a arma com a flanela, encaixando-a, junto à caixa, nuns galhos acima de sua cabeça. Desceu quando o trânsito estava já sendo paralisado e as primeiras sirenes já se ouviam, um pouco longe.
Começou a andar rapidamente até a parada de ônibus. Suava muito, mas o calor não deixava espaço para suspeitas. Havia muita gente no ponto e Zaqueu ficou preocupado. Ainda não sabem, não deu tempo, pensava enquanto revia todos os seus atos desde que chegara ao trabalho naquela manhã. Não há motivo para alarde, repetia.
O trânsito andou um pouco e o ônibus chegou. Subiram todos e Zaqueu sentou-se ao lado de um rapaz. Há poucas coisas mais irritantes do que engarrafamentos, ainda mais aquele, que ninguém sabia o que estava provocando, mas já se tinha certeza que era algo de anormal. Começaram a brotar soldados e cabos, correndo de um lado para o outro, brandindo fuzis e recebendo ordens dos sargentos, Cobre aquele lado, O outro, Porra, deixa de ser surdo, cabo Souza!, e outras coisas desesperadas de quem não sabe o que fazer. Estavam abordando todos os transeuntes e logo começaram a revistar os veículos parados no trânsito.
Zaqueu começou a ficar nervoso, aquilo não estava nos seus planos. Não pensou que eles iriam paralisar o tráfego tão cedo, nem que os militares chegariam tão rápido. A rapidez se deu porque havia um destacamento de duzentos homens próximo, voltando do Estádio Mané Garrincha, onde tinham participado de um treinamento com vistas à Copa do Mundo. Naquela altura, o crime já estava nas redes sociais e as autoridades já haviam sido acionadas, movendo toda a geringonça brasileira de segurança. Policiais militares mal treinados, policiais civis corruptos, policiais federais indolentes, forças armadas, pobres e emburrecidas pela Nova República, como garantia de aniquilar seus impulsos golpistas. Não tenho arma e não tenho nada que me incrimine, estou tranquilo, pensava.
Chegou a vez do ônibus em que estava Zaqueu. Entraram dois militares e começaram uma gritaria, Todo mundo calmo!, naquele velho estilo nacional de cooperação compulsória, intimidação amigável. O soldado foi na frente, olhando cada um dos passageiros enquanto segurava baixo seu fuzil. Um cabo cobria o primeiro da entrada. Zaqueu se segurou para não gritar de desespero, manteve o sangue frio e reduziu a sua expressão a um franzir de sobrancelhas, como se dissesse, Que merda é essa?, mas continuava suando muito. O soldado continuava a examinar com os olhos angustiados os passageiros. Uma senhora espirrou e a praça virou-se subitamente e apontou a arma na cara da velha, que começou a passar mal, aumentando o clima de terror, com gritos e choros. Um velho reclamou, Que está acontecendo?. O soldado respondeu, Meu senhor, houve um crime terrível ainda há pouco ali no Setor Hoteleiro Sul, e recebemos ordens de cercar tudo por aqui. Mas o que foi?, o velho questionou novamente. Parece que mataram alguém importante, disse o soldado. Zaqueu estava paralisado de pânico e olhava para fora, evitando encarar os dois. Tudo limpo aí, Amaral?, gritou o cabo. Ao que parece sim, tudo limpo, respondeu o soldado. Saíram do ônibus e comunicaram ao sargento que estava dando ordens em forma de gritaria a um monte de outros militares, revistando veículos em todas as direções. Como assim tudo limpo, porra?! Larguem de ser frescos e voltem àquela porra daquele ônibus e me tragam um suspeito, porra! É ordem, de todo carro tirem um filho da puta!, vociferou o exaltado sargento.
Zaqueu ouviu tudo aquilo com um aperto no coração. Era o fim. O soldado entrou novamente, desta vez com o fuzil ameaçadoramente alto. Tornou a examinar os passageiros. Todos eram velhos, doentes, mulheres, japoneses, obesos demais para terem feito aquilo. Bateu os olhos onde estava sentado Zaqueu e foi até lá. Ao vê-lo se dirigir até onde estava, Zaqueu teve vontade de sair correndo, tomar o fuzil e fazer reféns, mas não conseguia mexer nem as mãos, quanto mais fazer todo este escarcéu. Esperou. Os poucos passos do soldado demoraram uma eternidade e ele se preparou para ser preso, quando seus olhos de repente miraram o rapaz que estava sentado ao seu lado. Tranquilizou-se instantaneamente, baixou a cabeça e até sorriu. Ao chegar, o soldado esbravejou, Vamos levantando!, Como?, respondeu Zaqueu. Não é contigo não, é com este elemento aí. O rapaz tomou um susto com a intimação do soldado, mas levantou-se de pronto, resmungando em voz baixa qualquer coisa. Não era a primeira vez que as ditas autoridades brasileiras davam-lhe este tratamento, era preto e pobre. Como somos cordiais, o rapaz desceu calado e o olhar de Zaqueu acompanhou-o até ele ser recolhido a um caminhão que estava improvisado de camburão, já abarrotado de pobres rapazes pretos.
Dentro do ônibus, Zaqueu era só alívio. Esparramou-se, sorrindo, no banco do ônibus e ficou ainda mais radiante quando ouviu o sargento gritando, Pode desviar esses carros, já estão limpos!, e o veículo começou a se mover. Seu telefone tocou. Era seu chefe, que disse, Zaqueu, nem precisa voltar do almoço, aconteceu uma cagada, ninguém sabe ainda o que foi, mas parece que atiraram no Presidente do Senado, está todo mundo em pânico, Tudo bem, Mendonça, estou no ônibus, está tudo parado por aqui, vou para casa então, Certo, um abração, e desligou.
Mais um brasileiro à solta.
*(Texto excrito por Igor Farias, em colaboração ao blog eu-lírico da tabacaria)
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