Hoje, 7 de maio de 2010, ocorreu um ato dos trabalhadores
Um comentário que ouvi bastante durante essa mobilização e estado de greve, e que hoje ouvi de novo, foi a respeito da greve ser política. Hoje, na praça do operário, percebeu-se parte da categoria insatisfeita com a condução da greve, percebendo seus interesses...
Como sempre procuro estar em contato com diversos colegas que estão no dia-a-dia em diferentes escolas, sempre pergunto à quantas anda a mobilização para a greve. A última resposta que recebi foi: "Essa greve política tá meio furada, mas estamos na luta pela nossa categoria, um abraço pra ti."
Eu não discordo de que a 'greve é política', e nem que ela 'tá meio furada'. Mas acredito que há decisões chaves sendo tomadas por nós, e temos que envolver a base da categoria nela. Ao meu amigo que falou da "greve furada" respondi com um texto, que transcrevo pra vocês abaixo.
Pois é Camarada a greve é política sim, aliás toda greve é. Só que esta atende aos interesses políticos de uma força política (APS) e não de uma categoria. Porém, hoje foi protocolado na ALEPA a proposta de PCCR do Governo, e tal proposta têm pontos que são muito ruins a longo prazo. Por exemplo, amarra a possibilidade de progressão funcional à autorização expressa da SEPOF mediante disponibilidade orçamentária para este fim. Se há dificuldades de negociar agora, o que dirá se um dia voltar o tucanato, seria muito fácil dizer que não tem dinheiro. A tal da avaliação de desempenho, atrelada à possibilidade de gratificação por progressão funcional, também futuramente inibirá as greves e mobilizações da categoria. Outro ponto mais importante dentro do PCCR é o ponto que aumentaria de 20% para 1/3 o percentual de hora-atividade, o planejamento pedagógico. A lei do piso salarial expressa 1/3, e o governo não progride nessa direção.
Então companheiro, a greve é para atender aos interesses de uma força política sim! Dado que nossas assembleias e atos estão servindo de palanque para políticos que entraram pela janela no senado federal, e agora buscam se propagandear no seio da categoria, em busca de uma cadeira na ALEPA.
A greve é política, mas muita coisa está em jogo, é o momento de promover o debate na categoria, muita gente percebe a real intenção da greve, só que não há um que exponha isso a público e o momento de fazer isso vai chegar. Temos que lutar sim! Repito, muita coisa está em jogo! A batalha agora é na ALEPA, com os deputados, e não é por que tem quem se diz trotskysta querendo fazer palanque, que vamos perder a oportunidade de conseguir vitórias pra categoria.
Um abraço!
Prof. Nairo Bentes
da Direção Estadual da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil/Pará



